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A morte de um sonho. A vigilia de um penalista

                   Falemos em sonhos e em 'sonhos destruídos',' para, pelo reverso da poesia, compreendermos o que perdemos. Digo isso, em análise, ao quanto de irresponsabilidade, diria, dolo direto, mesmo, sem rodeios, praticou a empresa de Guarulhos, noticiado ontem a noite (22/04) no Fantástico, que deixou de realizar a festa de formatura de centenas de jovens, após haver sido contratada -e recebido!- para realizá-la. Não há desculpa plausível. Não há inocência viável. Sabiam de antemão que não entregariam o que haviam vendido. Mais que um dolo criminoso, é 'maldade humana', daquelas que os livros de direito penal não podem descrever, porque lida com 'typus', excludentes, erros, linguagem técnico-abstrata.

                   Querem saber o que se passou? Páginas de literatura realista –até surrealista- Shakespeare e Lombroso (“pour quoi, pas?”), e poderemos então entender o dano que provocam os 'destruidores de sonhos' e porque são assim, donde desempenha forte papel a tíbia punição ou total impunidade.

                   Quanto de sabor de conquista e combustivel de ânimo para a vida, não se encontrava naquela noite simbólica da festa que não houve? As jovens formandas, humildes, recrutaram todas as suas economias para um baile, uma viagem, um jantar...e um vestido. Sobrou o vestido, este, que a empresa inadimplente não conseguiu se apossar. Solidarizo-me com as jovens e os rapazes, pela dor da frustração, já que dor se sente personalisticamente e de modo intransferível, por espelho ou por procuração; solidarizo-me com as vitimas do possível estelionato, cuja resposta branda dada pelo Codigo Penal, instiga mais e mais aos velhacos a apossarem-se das ilusões e da boa fé dos incautos e corretos cidadãos. Parabéns formandos!!! Vocês orgulham suas familias, e, bem sei, que alguns de vocês, são os únicos com 'curso superior' dentre os seus e queriam mostrar para sua gente, no baile, a alegria que uma vida de trabalho, pobreza e resignação lhes roubou. Nenhuma pena ao infrator os redimirá da dor sofrida, mas, há de ser, o mínimo, que o Estado impotente para evitar o dano, possa fazer em homenagem a exemplaridade da pena, evitando no futuro, outra ‘maquillage’ borrada pelo choro, outro choro sentido dos pais queridos, outro vestido longo sem uso.

EDILSON MOUGENOT BONFIM, publicado no Facebook, 23.04.2012