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A PROPÓSITO DO CASO BRUNO E SEU JULGAMENTO

Vejo constantemente colegas e amigos, empenhados na improvável tarefa de convencer interlocutores, de que houve o homicídio de Elisa Samudio, e que, para a condenação não é obrigatória a existência do corpo. Improvável tarefa, porque, de fato, creio, na maior parte das vezes não se logrará o convencimento do interlocutor. Ele não quer ou não pode se convencer. Os argumentos são variados: 1) Onde está o corpo? Por que não aparece? 2) E o risco da vítima aparecer viva, depois? 3) Lembram-se do "Caso dos Irmãos Naves"? 4) Só poderia dar minha opinião com os autos do processo na mão... E por aí segue a procissão de argumentos. De trás para a frente, vamos a um breve exercício mental:

1) Obviamente, quando se discute, se externa opinião em casos que tais, não se tem mesmo os autos às mãos. Aliás, nem com eles vem alguma verdade unânime ou definitiva, fosse assim, acusação e advogados teriam uma e só mesma opinião. E não tem. Daí já se vê que o "espírito humano" (chamemos assim ao intelecto ou estrutura da personalidade), pode pender para uma análise ou conclusão, ou outra, dependendo do interesse em jogo ou dos limites da inteligência de cada um. Donde, uma suposição, quase chegando às raias da aposta: dê os autos do processo a quem pensava em absolver...e ele (a)continuará absolvendo; dê os autos a quem pensava em condenar e...continuará condenando, ambos, agora, com mais convicção. Há espíritos que sofrem do "complexo de Pilatos", estarão em dúvida mesmo diante do testemunho ocular, afinal, há muito "daltonismo" na praça, muita ilusão de ótica, passível de explicar-se a visão do ET de Varginha e mesmo, claro, a aparição de algumas santas da igreja. Tais espíritos ou inteligências, não se pautam pela métrica da prova, mas pela dúvida interior, como febre persistente cujo remédio se desconhece. Mais provas? Quantas? Não se trata, pois, de racionalmente buscar-se explicações para o convencimento deste espírito rebelde à "catequese da verdade", mas, de aceitar-se o "diferente", ou seja, enquanto tudo aponta em uma direção, o "diferente" olha para o dedo que aponta, e não para a apontada direção. Questão de dedo, de ponta de dedo, de melindres... não, de direção. Sempre haverá, pois, para o espírito sensível à febre da dúvida, à catapora interrogativa, ao sarampinho dos questionamentos sem fim, "enfim", uma persistente e paradoxal "certeza da dúvida", meio "cartesiana", meio duvidosa, "meio-meio"... As pessoas são o que são, com seus limites, talentos, vícios e virtudes, não como gostaríamos que fossem. Olhem para elas e as escutem: invariavelmente protestarão contra a impunidade. Dado a elas a capacidade de decidir e opinar, restam em dúvida, na ausência de coragem de pura e simplesmente dizerem o que já sabemos, não querem duvidar por duvidar, querem absolver, ora pois... Mas, se vale a estética da coragem, é mais bonito falar que absolve sem rodeios, batendo no peito, como quem faz um ato de contrição, de fé. Mais se bate, mais se expulsa o pequeno demônio da dúvida, ou da culpa interior, que atende por vários nomes. ...Bem, agora o tal Macarrão contou uma grande novidade: "de que o goleiro mandara matar a vítima". O Brasil inteiro já sabia. O nosso duvidoso "amigo", não sabia, e continuará não acreditando. Afinal, quem acreditará em Macarrão? Sim, é verdade, Macarrão, o coréu, não dá um testemunho de fé, uma palavra do Evangelho. Ouso imaginar um comportamento assim: "direi do outro o que é impossível negar, e quanto a mim, diminuirei minha culpa porque aparentará que digo a verdade". Destarte, ao bom julgador cabe o "noves fora 0", para aprender a interpretar a prova. Prova, pois, não é aritimética, não é corpo; é boa fé, ciência e consciência. 

2) Sim, quanto aos "Irmãos Naves", todos nos lembramos. De tão excepcional o caso virou livro e filme. Algo que aconteceu sem nenhuma prova nos autos, a não ser uma confissão nula, pois, sob tortura. Qual a similitude com o caso em pauta? (tudo bem, não tem os autos em mãos, mas uma imprensa coesa e unânime apontando sangue da vítima no carro, ligações telefônicas comprometedoras, depoimentos incriminadores, contradições essenciais dos acusados, já dão um mínimo de condições para "opinar", afinal, é só isso que se quer do amigo, não o voto, pois ele não está julgando, ora essa...). Nossos amigos, confundem um simples palpite - matou ou não matou? - com o dever de julgar, reservado aos jurados. E como palpite, basta que seja razoável, não precisando externar toda a dúvida insanável (quem sou? onde estou? existirei? serei eu? por que existem pobres e desvalidos? Meus Deus, por que tanta loucura no mundo?) existente no universo. Deixa-se, essa "verdade" total, ao Messias, certamente, ao Salvador. Aos homens, julga-se, consoante provas e provas apenas razoáveis, já que, a certeza de uns é a febre persistente da dúvida de outros. Mas e o caso dos Irmãos Naves? Um... como uma gota de água doce nos vagalhões imensos e salgados do oceano.

3) Onde está o corpo? Claro, não dirão o que do corpo fizeram, pois provocaria mais asco do que se pode imaginar. É algo tão inconfessável, por tão abjeto... 

4) Deixei por último o simplório argumento de "E se depois do julgamento a vítima aparecer viva"? Bem, esse argumento, de forma análoga, fora usado pelo "maníaco do parque" ("Não fui eu....vão me prender e o verdadeiro criminoso vai continuar às soltas, matando"). Não convenceu. Ora, o juiz ao pronunciar "já se convenceu da materialidade", ou seja, tem certeza que está provado, conforme preceitua o artigo 413 do CPP (se tivesse dúvidas impronunciaria), o Ministério Público idem, o Judiciário disse que a materialidade está provada....só a defesa e nosso "amigo" procuram um corpo...Mas e se a vítima aparecer viva, retorquirá nosso teimoso amigo? Diga a ele: "Faça o nome do Pai e fuja, pois você estará vendo um FANTASMA!". Afinal, quem foi que disse que tudo que parece vivo de fato está?

Abs a todos (e ao "nosso amigo")